Os desafios da liderança feminina ainda são vários, infelizmente. Mesmo depois de tantas conquistas, ainda temos que:

1) Romper o preconceito de gênero

Ambição é considerado palavrão quando se está falando sobre uma mulher. “Ela é muito ambiciosa” é algo pejorativo, ao passo que “ele é muito ambicioso” é considerado um elogio. Os homens são reconhecidos por – e até encorajados a – serem competitivos e almejarem crescimento profissional. Para nós mulheres essa é uma característica não desejada, que deve ser repudiada. Como diz a personagem principal do filme “O diabo veste Prada”, sobre sua editora considerada “durona”: “se ela fosse homem, o comportamento dela não seria questionado”.

2) Dominar nossa própria insegurança

Crescer em uma cultura machista faz com que nós mesmas desconfiemos de nossa capacidade. Estamos acostumadas a sermos reconhecidas pela beleza e não pela inteligência ou capacidade profissional (vide elogio do candidato Crivella às jornalistas que mediaram o debate eleitoral do Rio de Janeiro). Essa pressão causa insegurança perante a construção de nossa atuação.

3) Driblar a desconfiança dos outros

Um relatório da McKinsey de 2011 afirma que os homens são promovidos com base em seu potencial, enquanto as mulheres são promovidas com base no seu histórico de realizações. Ou seja, para ascenderem profissionalmente, os homens precisam apenas convencer de que serão capazes. Nós mulheres precisamos convencer de que já somos capazes.

4) Contornar a disparidade de salários

Já dominamos o mercado de trabalho, mas continuamos a receber apenas 75% dos salários masculinos. Na prática, enquanto um homem recebe em média R$2146, recebemos R$1614 (dados da PNAD IBGE 2013). Ou seja, realizamos o mesmo trabalho, mas com remuneração menor. Isso se deve, em parte, à desconfiança por parte das empresas de que a mulher irá ser uma funcionária menos dedicada por causa dos filhos.

5) Inspirarmo-nos em modelos femininos de liderança

Analisando o cenário mundial, descobre-se que 4% dos CEOs das empresas listadas na Fortune 500, a lista das 500 maiores empresas dos EUA, em 2013 eram mulheres. Dez anos anos, esse número era de 1,4%. No Brasil, segundo dados do Núcleo de Direito e Gênero da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas, as mulheres são 45% da força de trabalho, mas só ocupam 7,9% dos cargos de diretoria. Assim, existe uma pressão para que a mulher assuma comportamentos geralmente associado aos homens para conseguir subir na carreira.

6) Eliminar a dupla (ou tripla) jornada

Mesmo que ocupe um lugar de destaque no mercado profissional, a mulher ainda é vista como a responsável por “manter a casa e a família em ordem”. Assim, após a jornada de trabalho na empresa, em geral também precisamos cuidar da faxina da casa, educação dos filhos e cuidados com o companheiro. A Síntese de Indicadores Sociais (SIS) de 2014 mostra que as mulheres têm uma jornada média em afazeres domésticos maior do que o dobro da observada para os homens (20,6 horas/semana para mulheres e 9,8 para homens).  Apesar de sermos vistas como o “sexo frágil”, recai sobre nós a responsabilidade pelo âmbito privado, mesmo após um dia estafante de trabalho fora.
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6 desafios que só as mulheres líderes conhecem
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