Séries, filmes e programas de TV que evidenciam a força da mulher e os desafios enfrentados por nós ao longo dos séculos, sempre são bem-vindos para fazer a sociedade pensar. Neste contexto, The Bletchley Circle faz um trabalho espetacular.

A série britânica, do mesmo criador de The Borgias, Guy Burt, é situada em 1952, nove anos após a Segunda Guerra Mundial. Toda a obra gira em torno da vida de mulheres que atuaram decifrando códigos militares durante a guerra.

Durante a série, elas acabam se reunindo para pegar um serial killer, depois de serem dispensadas e proibidas de relatar a participação delas na vitória da Grã-Bretanha. Como a série é baseada em fatos reais, é muito interessante para mostrar as impressões e valores da mulher naquela época.

The Bletchley Circle e as nuances de uma sociedade machista

The Bletchley Circle

A pegada do The Bletchley Circle é muito expressiva e didática para as mulheres. Porque? Porque assistindo aos episódios, ela pode se colocar no lugar das personagens. 

Com isso é possível entender alguns comportamentos machistas que existem até hoje.

A personagem principal (Susan), por exemplo, tem uma relação muito boa com o marido, que é amável, gentil e solidário. Porém, ele não a enxerga como um ser pensante. Lembrando que ela foi essencial no triunfo da Grã-Bretanha, poupando milhares de vidas ao decifrar códigos alemães.

Fragilidade masculina estampada na cara

The Bletchley Circle expondo a fragilidade masculina

O pior de tudo, é que a própria sociedade e a Lei dos Segredos Oficiais a proíbe de provar o contrário, mostrando a fragilidade dos homens. Já que eles, sem a inteligência feminina, certamente não conseguiriam avançar na guerra.

A fragilidade masculina fica evidente no The Bletchley Circle. Ela é tão grande que a polícia se perde na investigação dos crimes do assassino e se negam a buscar ajuda junto às mulheres.

Elas seriam de grande ajuda no caso para identificar padrões e características. Os crimes eram regados a misoginia, uma tendência de ódio contra as mulheres.

Desvalorização enraizada da mulher

A desvalorização da mulher mostrada pela série é tão forte que faz as próprias personagens duvidarem delas mesmas. Diante disso, Susan se vê em uma encruzilhada… onde o medo de envergonhar a família e pressão social tomam conta do seu ser.

Ela então acaba se desrespeitando como ser humano e, principalmente, como uma mulher forte e de grande representatividade.

Susan não pode dizer nada sobre suas atividades durante a guerra. Assim, enquanto manca em razão de um velho ferimento de guerra, sofrendo, tem que fingir não ter nada e que passou a guerra reorganizando arquivos.

A luta feminina persiste

The Bletchley Circle - A luta feminista continua

O último meio século viu mudanças positivas e a favor das mulheres, coisas que nossos ancestrais não poderiam ter imaginado. Porém, a guerra ainda não acabou, vencemos apenas algumas batalhas dela.

Todos os dias a publicidade, as roupas, os costumes nos mostram que ainda vivemos à sombra de pensamentos retrógrados. Por isso, a mulher tem uma responsabilidade muito grande em reforçar as lutas.

Tanto para aqueles que vieram antes de nós e quanto para quem virá depois, para manter avançar sempre que pudermos.

The Bletchley Circle: feminismo de verdade para se ver
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